O que fazer em 4 dias no Alentejo, Portugal
O Alentejo é uma das regiões mais autênticas e cativantes de Portugal. O nome faz referência à sua localização, que fica além do rio Tejo.
A zona é perfeita para quem busca viagens do tipo "slow travel" e locais pouco massificados. Como o tempo no Alentejo corre mais devagar, este destino é ideal para experimentar o silêncio e a contemplação de um ritmo de vida tranquilo.
Mas esta também é uma zona de boa gastronomia e de vinhos de excelência. Os hábitos alimentares alentejanos estão baseados em elementos como o pão, o azeite e as ervas aromáticas (como coentro ou poejo). Entre os pratos típicos alentejanos se destacam as açordas (uma espécie de sopa de pão que pode ser complementada com bacalhau ou ovos), o ensopado de borrego (borrego é cordeiro) e os doces conventuais (geralmente a base de ovos).
Outro atrativo da região é seu patrimônio histório e cultural, com destaque para as tradições e monumentos de origem romana e medieval.
Em termos de paisagem, a zona é uma planície dourada repleta de sobreiros (as árvores que dão origem à cortiça), além de vinhedos e oliveiras, muitos deles centenários.
O Alentejo faz fronteira com a Espanha ao sul (entre a Andaluzia e a Extremadura); ocupa quase um terço do território português, mas é uma das regiões menos povoadas. É conhecido como o "celeiro de Portugal".
Évora: a cidade-museu
Évora é uma excelente cidade de base no Alentejo. Além de ser a capital da região, é uma cidade bastante completa, ao mesmo tempo em que é compacta.
Turisticamente falando a cidade, que conta com um centro histórico medieval amuralhado, é um local extremamente atrativo, pois é Patrimônio Mundial da UNESCO e respira história em cada esquina dentro de suas muralhas.
A visita às principais atrações de Évora pode ser feita perfeitamente em 1 dia (ou em 2 dias, caso queira explorá-la com calma). Os monumentos se encontram todos no centro histórico, a poucos passos um do outro.
Abaixo comento sobre os locais imperdíveis que recomendo conhecer em Évora:
Templo Romano (Templo de Diana)
O Templo de Diana é o ícone da cidade. Datado do século I d.C, é um dos templos romanos mais bem preservados da Península Ibérica. Pode ser apreciado gratuitamente e fica localizado próximo à catedral da Sé.
Igreja de São Francisco e Capela dos Ossos
A Igreja de São Francisco é uma típica igreja portuguesa com arquitetura gótica-manuelina e altares decorados. A entrada à zona da igreja é gratuita, mas vale a pena pagar 6 euros para poder visitar a capela dos ossos e o museu anexados à lateral direita da igreja.
A capela conta com uma frase na entrada: "Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos", que nos leva a fazer uma reflexão profunda sobre a transitoriedade da vida.
Catedral da Sé de Évora
Esta catedral é maior catedral medieval de Portugal e conta com uma vista incrível do telhado. O valor para entrar à igreja e acessar o mirador, em dez/2025, variava de 4 euros (sem visita ao museu) a 5 euros (com visita o museu).
Praça do Giraldo
Essa zona é o coração da cidade, com seus arcos e cafés charmosos e de onde se bifurcam as principais ruas comerciais de Évora.
Onde comer
Em termos de gastronomia, Évora conta principalmente com restaurantes que preservam os hábitos locais alentejanos, mas também é possível encontrar restaurantes multiculturais (comida brasileira, americana, chinesa, italiana, espanhola...).
Três dos locais dos que mais gostamos na cidade eram exatamente internacionais, especificamente o restaurante brasileiro Souvereign, o café Brigadeiria D’Évora com quitutes brasileiros, e o restaurante chinês Palácio Dourado.
Uma outra boa opção, principalmente para orçamentos mais apertados, é o Café do supermercado Continente, onde é possível tomar café da manhã e também almoçar e jantar, visto que oferecem menus com prato principal e bebida a preços econômicos.
Vidigueira
A zona do Alentejo é uma das principais zonas de cultivo de uvas e produção de vinhos em Portugal. O enoturismo está muito bem estruturado na região e é posível encontrar experiências para todos os gostos (e bolsos!).
Nós optamos por fazer uma visita simples a uma adega ("fábrica" de vinhos) localizada em Vidigueira, um dos principais povoados onde se concentra a produção de vinho no Distrito de Beja. A distância saindo de Évora é de mais ou menos 55km, o que significa uma viagem de uns 50 minutos de carro.
A adega que escolhemos foi a Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito, que recebe e processa uvas de diversos produtores desses três locais e produz tanto vinhos brancos como vinhos tintos com métodos tecnológicos (modernos e mecânicos), além de produzir o vinho de talha (de forma manual, em ânfora de barro, seguindo uma técnica herdada dos antigos romanos que habitaram a região).
Nos agendamos a visita usando o Civitatis e nos custou7,50 euros por pessoa, mas também é possível ir diretamente à adega e reservar algum dos horários disponíveis (de segunda a domingo às 10h, 12h, 14h ou 16h).
Monsaraz
A última parada que fizemos na nossa visita ao Alentejo foi à vila medieval de Monsaraz. Essa vila fica bem pertinho da fronteira com a Espanha, numa zona de represa que, no verão, parece ser muito convidativa para realizar banhos e outras atividades aquáticas.
Como fomos no inverno, entre o Natal e o Ano Novo, nos limitamos à subir ao castelo, principal atração de Monsaraz (e de acesso gratuito). Para chegar até ele, é inevitável passear pelas ruelas medievais do lugar.
O agradável passeio pela rua principal de Monsaraz permite ainda visitar a igreja da vila, por um valor de 1 euro, além de xeretar lojinhas de artesanato e sentar em bares ou restaurantes para tomar café ou almoçar. É importante ter em conta que na vila não vimos nenhum lugar que aceitasse pagamento com cartão, então levar dinheiro é essencial caso se pretenda consumir algo em Monsaraz.
As lojas de artesanato oferecem produtos bonitos e originais, alguns superfaturados, mas outros, como as louças e objetos de cerâmicas, têm valores bastante aceitáveis, parecidos ou até inferiores aos valores que vi por Évora.
Há dois bares em estilo espanhol que permitem refeições mais simples ou apenas beber um vinho ou cerveja, o Gazpacho e o Madre Mía. Já os demais locais exigem que você se sente para consumir refeições completas.
Nós optamos por almoçar fora de Monsaraz e no caminho de volta a Évora paramos num povoado um pouco maior chamado Reguengos de Monsaraz. Lá tivemos a grata surpresa de conhecer o restaurante Plano B, que se mostrou uma excelente opção. Além de preços bastante razoáveis, a quantidade e o sabor de comida eram estupendos.
Onde nos hospedamos
Nossa escolha de hospedagem foi o hotel Ibis de Évora, que tem uma ótima localização para explorar tanto a cidade amuralhada como a parte nova da cidade.
Esse hotel de 3 estrelas tem estacionamento amplo e gratuito, além de bar/cafeteria com preços convidativos. As instalaçoes eram boas, com quarto e banheiro grande e bem climatizado (estava fazendo bastante frio em Évora na semana em que fomos - entre os dias 26 e 30/12/2025, e o aquecimento era até demais em alguns momentos).
Como chegar ao Alentejo
Como moramos na Andaluzia, na Espanha, optamos por fazer a viagem ao Alentejo de carro. Há pelo menos 3 rotas possíveis a partir de Jaén, de onde saímos, sendo 2 delas com pedágio e 1 sem pedágio. Na ida optamos pela rota sem pedágio e a viagem durou umas 6h30 passando por Sevilla e entrando em Portugal por Mourão.
Na volta decidimos pagar o pedágio e a duração da viagem caiu para 5h30 saindo por Elvas e passando, já na Espanha, por Extremadura e por Córdoba para chegar a Jaén.
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