O Brasil não é dos maiores produtores nem está entre os maiores consumidores de vinho do mundo, mas isso não significa que a cultura do vinho - e de vinho de qualidade - não esteja presente no país.
A tradição europeia, principalmente a italiana, que é muito presente no estado do Rio Grande do Sul, unida ao clima propício do sul do país, fez com que se desenvolvesse na região da Serra Gaúcha uma produção relevante de vinhos, com destaque para os de tipo espumante.
Com isso, a Serra Gaúcha é uma das regiões mais atrativas para visitar no Brasil se você for amante não somente de enoturismo, mas também de boa gastronomia. Destacam-se mais precisamente as cidades de Garibaldi e Bento Gonçalves. Nós fizemos uma visita a essa região em abril de 2026, entre a Sexta-feira Santa e o Domingo de Páscoa, e aqui conto um pouco sobre o nosso roteiro pelo Vale dos Vinhedos.
Estrada do Vinho em Bento Gonçalves
A maioria das vinícolas do Vale dos Vinhedos fica na Estrada do Vinho, bem próxima ao perímetro urbano de Bento Gonçalves. O passeio pela estrada em si já vale muito a pena, pois a paisagem de serra, com campo e vegetação verdinha intercalada com as plantações de parreiras, já é um grande atrativo.
Mas, a melhor parte é ir parando nas vinícolas que há pelo caminho para fazer tours guiados, visitar as lojas de fábrica ou simplesmente sentar-se nos wine bars ou jardins com quiosques para provar os vinhos produzidos por cada uma delas.
Há muitas vinícolas nessa rota e parar em todas exigiria muitos dias de viagem. Se for dedicar um dia à rota, minha recomendação é escolher umas 4 ou 5 vinícolas para conhecer, fazendo um tour completo em uma delas e visitando apenas a loja ou a prova de vinho nas demais.
As que decidimos visitar foram as seguintes:
- Almaúnica: vinícola pequena com espumantes e vinhos tintos e brancos. Provamos o espumante de entrada deles, o Moscatel, e aprovamos. Eles servem o vinho por taça, mas também permitem comprar uma garrafa que pode ser compartilhada com outras pessoas no deck disponível na entrada do local e com vistas para as parreiras.
- Casa Valduga: esta é uma das vinícolas mais conhecidas e renomadas da região e possui um complexo turístico com loja, wine bar, gelateria, hotel e restaurante. Vale muito a pena visitar a gelateria, onde não servem apenas sorvete, mas também permitem comprar garrafas para dividir com outras pessoas sentando-se em alguma das várias mesinhas que ficam literalmente debaixo de parreiras antigas.
- Chandon: esta marca francesa é, com certeza, a marca de espumante mais conhecida no país, além de ser muito famosa no mundo. Eles passaram a produzir espumante também no Brasil e o complexo deles na Estrada do Vinho permite visitar a fábrica, a loja e degustar espumantes (e até aperitivos) na zona do jardim.



Já fora da Estrada do Vinho, mas dentro da cidade de Bento Gonçalves, bem mesmo no centro urbano, fica uma das fábricas da Cooperativa Vinícola Aurora. Lá é possível realizar gratuitamente uma visita às instalações, receber informações sobre o processo de produção dos vinhos e provar, ao final do tour, 7 rótulos produzidos pela casa.
Garibaldi
A poucos minutos de Bento Gonçalves está outra cooperativa vinícola: a Garibaldi, que tem o mesmo nome da cidade onde fica.
Nela, é possível fazer uma visita similar à oferecida pela Aurora, com a diferença de que na Garibaldi é preciso pagar a entrada (R$ 40). O valor inclui, além do tour, a degustação de vários rótulos ao final e a taça que é dada para a prova do vinho (que pode ser levada para casa).
O ideal é comunicar-se com a cooperativa com antecedência (por telefone ou email) para deixar a visita agendada, mas também existe a possibilidade de agendar a visita na hora ao chegar ao local.
Caminhos de Pedra
Voltando a Bento Gonçalves, outra rota turística bastante atrativa nos arredores da cidade é o chamado Caminhos de Pedra. Essa estrada concentra diversas casas que oferecem uma variedade de produtos gastronômicos, como salames, erva-mate, chocolate, além de contar também com lojas de vinhos e vinícolas.
A visita ao Caminhos de Pedra tem a mesma pegada da Estrada do Vinho: o ideal é mapear aqueles locais que te interessam ver e ir parando em cada um deles para conhecê-los melhor, provar ou comprar produtos. Esse caminho, pelo menos na época em que fomos, estava bem mais movimentado que a Rota dos Vinhos, princilpalmente perto do meio-dia, quando muita gente frequenta os restaurantes dessa zona. Com isso, recomendo ir cedo para evitar muvuca, ou tentar em dia de semana, em semana sem feriado.
Dentre os diversos estabelecimentos que podem ser visitados, nós paramos na Bznjabier Cervejaria, na Casa da Erva-Mate Ferrari, na Benevento Chocolate e Café, na Ferrari-Ferri Cutelaria e na Salumeria Caminhos de Pedra.
Para almoçar, decidimos nos afastar um pouco do Caminhos de Pedra, onde os preços podem ser bem salgados, e buscamos algum restaurante por perto. Terminamos encontrando um local de "espeto corrido", como dizem os gaúchos (o famoso "rodízio" para o resto do Brasil) em um bairro bem tranquilo, mas não guardei o nome exato do local.
O rodízio gaúcho, o tal espeto corrido, se parece muito a qualquer rodízio de São Paulo ou outra cidade do Brasil, com a diferença de que não há um buffet ou rodízio também para os acompanhamentos, o que eles fazem é trazer até a mesa porções de arroz, salada, maionese, macarrão e similares que vão complementar a carne que vai sendo oferecida no espeto.
Transporte e hospedagem
Para chegar a Bento Gonçalves, partimos de São Paulo capital, do aeroporto de Congonhas e voamos em voo direto da Gol até Porto Alegre, uma viagem de 1h30 mais ou menos. Em Porto Alegre, pegamos um carro alugado para ir a Bento Gonçalves, que fica a umas 2 horas de carro da capital gaúcha.
Até o último dia da viagem, estivemos com o carro, o que proporcionou que pudéssemos nos deslocar tranquilamente pelos roteiros descritos aqui. Se você quer ir a essa zona por conta própria, sem fazer parte de uma excursão ou grupo organizado, ir de carro será inevitável, caso contrario não conseguirá explorar nada que não seja no próprio centro de cidades como Bento ou Garibaldi.
Quanto à hospedagem, como estávamos em um grupo de 5 pessoas, nos compensou mais pegar um casa de aluguel de curta temporada. Encontramos
esta casa pelo Booking e foi uma excelente experiência. A casa não fica no centro de Bento, está em um bairro mais afastado, mas como nossa ideia era explorar mais os arredores do que a própria cidade, nos veio a calhar.
Fazer o roteiro pelo Vale dos Vonhedos em Bento Gonçalves, e descobrir também o Caminhos de Pedra e outras cidades, como Garibaldi, na serra gaúcha, sem dúvidas valeu muito a pena. Se você é amante de vinhos e de enoturismo, saiba que a região não deixa nada a desejar para a Europa ou países como Argentina e Chile.
Quer ver mais opções de enoturismo? Então leia também nossos textos sobre visitas à vinícolas em outros países, como Espanha e Portugal.
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