Roteiro pela Riviera Francesa: 5 dias na Côte d'Azur no sul da França
Riviera Francesa, Côte d’Azur, Costa Azul, Alpes Marítimos. Todos estes nomes são usados para fazer referência à belíssima região do sul da França, onde ficam cidades famosas como Cannes e Nice (e inclusive Mônaco, um minipaís no meio do caminho, já quase na fronteira com a Itália). Em julho de 2026, decidimos visitar essa zona, aproveitando o nosso primeiro período de férias no verão europeu, e passamos 5 dias na Côte d’Azur.
A cidade é muito fácil de ser explorada a pé: basta sair da estação rumo ao centro e ir explorando as ruas cheias de lojas e restaurantes que, em algum momento, você acaba saindo de frente para a praia. Falando em praia, em Menton o mar também é muito convidativo e, devido à geografia do local, forma-se praticamente uma piscina de águas muito calmas.
A Costa Azul da França tem muito a oferecer e, para conhecê-la bem - e com calma -, seriam necessários facilmente de 10 a 15 dias de viagem. No nosso roteiro de 5 dias na Côte d’Azur, conseguimos passar por Nice, Cannes, Antibes, Grasse, Villeneuve-Loubet e Menton. A onda de calor que afetou a França no verão de 2026 foi um fator determinante que nos impediu de ir a mais lugares, já que em certos horários do dia era impossível (além de não ser recomendável) ficar andando pelas ruas embaixo do sol.
No fim das contas, dedicar-se praticamente a uma cidade por dia acabou sendo uma boa maneira de explorá-las com tranquilidade e também de ter tempo para aproveitar a praia. Abaixo, comento um pouco sobre cada um dos locais que conhecemos.
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Villeneuve-Loubet
Villeneuve-Loubet foi a cidade que escolhemos como base na Côte d'Azur, e essa escolha foi por uma razão bastante simples: o preço. De longe, essa cidade conta com valores mais baixos do que os de outras cidades da região, já que se trata de um local bem menos turístico.
A cidade se divide, por um lado, em uma parte de marina e praia, onde também fica a estação de trem (e onde há circulação de ônibus), e, por outro lado, em uma zona alta de povoado (distante da praia).
Acabamos usando a cidade como base, realmente, para dormir, tomar café da manhã e jantar, comprar alguma coisa no supermercado que fosse necessária e principalmente como ponto de partida e de chegada dos "bate e voltas" que fizemos durante nossos 5 dias na Côte d'Azur.
Dentre alguns lugares que tivemos a chance de conhecer em Villeneuve-Loubet, destaca-se com toda a certeza a zona da marina, que concentra comércios, vários restaurantes (desde refinados até opções mais acessíveis), além de ser uma região com fácil acesso à praia e aos meios de transporte.
A praia principal e mais movimentada da cidade é a Plage du Centre Nautique. Outra praia próxima - e mais tranquila - é a Plage des Maurettes, que fica na zona da estação de trem. Ambas têm um mar azul clarinho e são de pedra, não de areia, o que pode incomodar um pouco quem não está acostumado com as praias do Mediterrâneo (dica: usar sapato de praia pode ajudar).
Uma vantagem das praias de Villeneuve é que elas são totalmente públicas e abertas (sem beach clubs que exigem pagamento), o que garante uma experiência mais econômica.
Apesar de ter gostado bastante das praias dessa cidade, se tivesse que voltar à Côte d'Azur, eu não me hospedaria em Villeneuve-Loubet outra vez; preferiria tentar a hospedagem em Nice, que é a maior cidade da região, ou em alguma outra cidade de praia, que seja menor que Nice, mas que seja melhor estruturada e urbanizada do que Villeneuve na zona da praia (como Antibes, por exemplo).
Cannes
A famosa cidade do festival de cinema mais conhecido do mundo, o Festival de Cannes, realmente faz jus à fama que tem. Cannes é um destino refinado, de arquitetura elegante e regado a lojas de marcas renomadas (como Chanel, Louis Vuitton e cia.).
Nossa ida à cidade aconteceu em um domingo e, por ser um dia de comércio fechado, decidimos tirar o dia para ficar na praia. A cidade tem uma excelente extensão de areia que se divide em áreas de acesso livre e zonas de beach clubs. Isso significa que, apesar de ser um destino de luxo, é possível usufruir da praia em Cannes também de forma gratuita.
Se o que você busca é uma experiência mais sofisticada, pode reservar sua cadeira e guarda-sol em algum beach club da cidade (um beach club é como um quiosque de praia do Brasil, só que mais "chique" e estruturado, já que tem cadeiras e guarda-sol de boa qualidade, acesso a banheiros e quase sempre está integrado a um restaurante).
Os preços variam de beach club para beach club, mas ficam numa média de 25 a 35 euros por pessoa para o uso da cadeira por uma jornada completa (o que geralmente abarca o intervalo das 9h às 18h). Em sites como o My Sun Bed você pode consultar alguns dos beach clubs de Cannes e de outras cidades da Riviera Francesa para ter uma ideia melhor dos valores cobrados.
Para ficar no meio-termo (ou seja, ter um mínimo de conforto, mas sem gastar tanto), uma dica é reservar a sua cadeira de praia no espaço da prefeitura de Cannes, na Zamenhof Beach. Basta acessar o site deles e ver a disponibilidade (geralmente dá para reservar com uns 3 dias de antecedência). Há opção de ficar meia jornada (de manhã, das 8h30 às 13h30; ou de tarde, das 13h30 às 18h30) ou de ficar uma jornada completa (das 8h30 às 18h30).
Nós reservamos com a prefeitura meia jornada de manhã, chegamos na praia umas 9h30 e saímos de lá às 13h30. O preço de duas cadeiras ficou em 13 euros. Chegando lá, bastou mostrar nosso comprovante de reserva em pdf e fomos orientados sobre onde podíamos sentar. Na chegada, os atendentes perguntaram se queríamos um guarda-sol (por mais 4,50 euros) - saiba que, se você não souber francês, poderá se comunicar com os atendentes em inglês (não somente em Cannes, mas em praticamente todas as cidades da Costa Azul francesa).
Antibes e Grasse
Visitamos Antibes e Grasse no mesmo dia. Este foi o único dia em que decidimos conhecer dois destinos, já que não fomos à praia (e sinceramente, me arrependi de não ter ido a alguma praia em Antibes, pois por lá a paisagem e o mar eram tão bonitos quanto em Cannes).
Antibes era a cidade mais fácil e rápida de acessar a partir de Villeneuve-Loubet (uma viagem de uns 10 minutos de trem), por isso conseguimos chegar por lá bem cedo e explorar o centro da cidade. O local estava incrivelmente tranquilo, sem ruas lotadas de turistas, o que me pareceu impressionante, visto que a cidade é super bonita e bem estruturada (tudo bem que era uma segunda-feira, mas foi em plenas férias de verão!). Quando chegamos à zona de praia, aí sim havia muita gente, mas no resto da cidade a circulação era principalmente de moradores e trabalhadores.
Em Antibes, vale a pena visitar a zona da marina (que fica bem ao lado da estação de trem), além do centro histórico, justo abaixo da marina. Para boas vistas da cidade, vale a subida ao Fort Carré. E para aproveitar a praia perto do centro, uma boa ideia é ir até a Plage de la Gravette, a Plage du Ponteil ou a Plage de la Salis.
Falando em praia, em Antibes também há um esquema de beach club administrado pela prefeitura, mas a zona de praia onde se podem alugar as cadeiras a preços mais econômicos fica já em Juan-les-Pins, que está afastada do centro e tem uma estação de trem própria.
Em Antibes, há dois lugares que nos chamaram especial atenção: a cafeteria The Nomad Corner e a livraria Dernier Rempart. Ambas ficam na mesma rua, que é uma das ruas mais legais da cidade: a Traverse Lacan. Não chegamos a almoçar nem jantar em Antibes, mas a zona que me pareceu mais interessante para isso é entre a Av. Roberto Soleau e o Boulevard Albert 1er, que são duas vias que dão continuidade uma à outra levando da estação de trem de Antibes à zona das praias centrais.
Depois de explorar Antibes no começo da manhã, e como não tínhamos vindo preparados para ir à praia, decidimos ir a outro destino e pegamos o trem rumo a Grasse. De Antibes, a viagem de ida até lá dura, em média, 40 minutos.
Grasse é uma vila pequena, mas sua importância para a França (e para o mundo) é enorme, visto que esse local é a capital mundial do perfume. Foi nessa cidadezinha da Provença, graças ao seu microclima favorecedor, que se desenvolveu o cultivo das principais flores usadas na perfumaria (rosa, jasmim e nardo/angélica), além de técnicas eficientes de extração dos óleos essenciais usados por grandes produtores de perfume até hoje. O conhecimento concentrado na cidade sobre essa indústria foi inclusive declarado patrimônio cultural imaterial da humanidade pela UNESCO.
Estando em Grasse, o passeio mais imperdível é a visita guiada gratuita à fábrica de perfumes da Fragonard. A visita é bem completa, passa por várias salas e a guia vai explicando as etapas de produção do perfume, desde a extração dos óleos essenciais até a construção das fragrâncias e de outros produtos, como sabonetes. O passeio dura uns 45 minutos e está disponível em inglês e francês (e em outras línguas, aparentemente, com aviso prévio - vimos um grupo de estudantes que o fez em alemão, por exemplo). A visita acaba, obviamente, em uma loja enorme para que quem esteja interessado possa adquirir produtos da marca.
Além da fábrica da Fragonard, Grasse conta também com outros lugares de interesse para uma visita, como o Museu Internacional da Perfumaria, o Museu de Arte e História da Provença e o Museu Provençal de Costumes e da Bijuteria (este último também é mantido pela Fragonard e é gratuito). Mas o interessante mesmo em Grasse é andar pelas ruas do centrinho histórico, uma mais charmosa que a outra e decoradas com vários guarda-chuvas cor de rosa.
Menton
Menton é a última cidade da Côte d’Azur, fazendo fronteira com a Itália. De fato, muitas pessoas consideram a cultura e a arquitetura da cidade mais italianas que francesas: não é difícil ouvir os locais variando entre o francês e o italiano enquanto conversam; além disso, os restaurantes praticamente só servem pratos italianos (notamos que esse último fato é algo bem comum em quase todas as cidades que visitamos, na verdade).
Ficamos um pouco mais de meio dia em Menton e, como fazia um dia de muito calor - talvez o mais quente de todos - decidimos comer algo mais leve no almoço: salada de burrata e bruschetta. Não marquei nem memorizei o nome do local onde comemos, mas não seria um lugar que recomendaria, pois não achei nada de mais e o preço cobrado foi um pouco alto.
É preciso ter em conta que essa cidade fica um pouco mais distante de Nice, e a viagem até ela pode durar quase 1 hora. Portanto, se quiser combinar no mesmo dia a visita a Menton e a outro lugar, o mais lógico pode ser combiná-la com uma visita a Mônaco, que fica a 10 km de Menton (20 min de trem) e é um lugar pequeno que pode ser conhecido em poucas horas.
Nice
De longe, Nice é a cidade mais atraente da Côte d'Azur, já que reúne tudo o que o turista gosta: grande extensão de praia, museus, centro histórico, muitos restaurantes, rooftops e hospedagem de vários tipos. Obviamente, por ser o polo da região, os preços de hospedagem, por exemplo, são um pouco altos, já que há muita demanda; em compensação, a variedade de serviços permite encontrar preços competitivos na hora de comer ou fazer compras, por exemplo.
A cidade de Nice sozinha merece uns 3 dias para ser conhecida ao completo, mas de forma tranquila - principalmente no verão, quando em certas horas do dia é melhor ficar na praia ou na piscina do hotel em vez de bater perna.
Pela zona central, algumas atrações interessantes são:
- a Vila Masséna
- o hotel Negresco
- a catedral (Cathédrale Sainte-Réparate)
- o Palácio Lascaris
- o mercado de rua (Marché Aux Fleurs)
- a colina do castelo (Colline du Château)
Um pouco mais afastado do centro, mas valendo a caminhada, ficam, por exemplo, a Basílica de São Nicolás, uma igreja ortodoxa e muito diferente das construções cristãs, e o Museu de Belas Artes.
Quanto às indicações de lugares para comer, em Nice chamam muito a atenção as pastisseries e boulangeries. Uma que provamos e aprovamos é a Pâtissier Chocolatier Canet. Para almoçar, um local que nos atendeu bem foi o Splash, que fica no centro histórico e tem uma pegada mais italiana. Se quiser provar culinária francesa, vá a La Cave Washington. Para algo mais refinado (e mais caro), como tomar uns drinks ou jantar ao cair do sol, vale a visita ao Le Méridien.
Outra opção em Nice é ir aos restaurantes dos beach clubs na Promenade des Anglais. Eles costumam ser muito sofisticados - e mais caros - mas o ambiente e as vistas privilegiadas para o mar muito azul da cidade com certeza valem a pena.
Transporte pela Côte d'Azur
Como já mencionado anteriormente, no litoral sul da França há trens disponíveis e isso, somado também à frota de ônibus, faz com que deslocar-se pelas cidades da região seja muito fácil. Alguns optam por usar carro, mas sinceramente desaconselho essa opção, já que as estradas são pequenas e estacionar nas cidades será um verdadeiro desafio.
Ao estar na Côte d'Azur, aposte pelo trem. Estude os preços dos deslocamentos que quiser fazer para ver se vale a pena pagar por cada deslocamento individualmente ou pagar por um bônus de 3 ou de 7 dias. Há dois tipos de bônus de transporte na região: o primeiro cobre apenas o trem e custa 80 euros por 3 dias para um adulto + 1 acompanhante adulto. Esse bônus pode ser obtido nas máquinas das estações de trem (SNCF) de qualquer cidade da Costa Azul.
Outro bônus que vale mais a pena é o que dá direito ao uso ilimitado dos trens entre cidades, dos ônibus entre cidades e do transporte urbano de Nice (linhas de ônibus e tranvía, que é o metrô de superfície). Refiro-me ao Pass Sud Azur Explore.
Para conseguir usar o Pass Sud Azur, é preciso ir a alguma estação do tranvia de Nice, onde há máquinas que permitem a emissão de um cartão que pode ser carregado com o valor desejado. A emissão do cartão custa 2 euros e logo a recarga do bônus tem valores bem atrativos (35 € por 3 dias, 50 € por 7 dias ou 80 € por 14 dias). O único porém é que, no caso do Pass Sud Azur, o uso é individual.
Está pensando em fazer uma viagem para a França? Quanto mais locais conhecemos no país, mais entendemos por que ele é um dos mais visitados do mundo. Para conhecer outras opções de cidades para incluir no seu roteiro, leia também nossa publicação sobre a região da Alsácia ou sobre o País Vasco francês.

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